segunda-feira, 26 de julho de 2010

Os dementes


Vivo em uma sociedade pobre. E não estou me referindo a pobreza de dinheiro, que impede que um menino coma um pedaço de pão. Mas sim à pobreza que permeia a música , a literatura, o teatro, o cinema... enfim, a arte e a cultura. A cruel e genuína pobreza, ou melhor, a mais completa e asfixiante miséria de espírito.

Fico seriamente preocupada com os jovens dessa sociedade, apesar de ser tão jovem quanto eles. Me espanta o fato de ninguém mais falar ou escrever o que pensa. Esses indivíduos têm preguiça de pensar e de agir por conta própria e por isso, preferem as fórmulas prontas. Eu me assusto de ver como a sociedade tem sido palco de um verdadeiro teatro de dementes e de como a arte perdeu seu espaço na vida das pessoas.

Um belo dia acordei e o mundo estava assim. Olhei pela janela e lá estavam eles. Liguei a televisão e, surpresa, lá estavam eles de novo. Mas foi somente quando sintonizei o rádio que percebi o tamanho do problema: eles, os medíocres, resolveram formar bandas. É doloroso assistir toda uma geração seguir ladeira abaixo, culturalmente falando. Pra quem cresceu ouvindo Capital Inicial, Legião Urbana e Cazuza, o cenário musical jovem atual é vergonhoso. Pseudo-bandas como Cine, Restart e Nxzero fazem a cabeça da juventude de hoje.

Se antigamente as multidões se reuniam para mudar o mundo, hoje em dia elas se arrastam para assistir aos shows de grupos de rap e funk extremamente machistas, como por exemplo o “Bonde do Stronda”. Enquanto isso, toda uma parte da música brasileira de qualidade é deixada de lado. É lamentável que um dos movimentos musicais mais fortes dentro de um país seja aquele que reduz mulheres a bonecas infláveis e objetos descartáveis.

Confesso, a primeira vez que assisti esses caras na tv achei que eles estavam de brincadeira. Que era uma pegadinha, sei lá, algo do tipo. Não podia ser sério. Infelizmente, pra meu desespero, era sério. E não se trata só de música ruim. Há todo um estilo de vida por trás. Acho que eles estão tentando se diferenciar. Mas é engraçado que quando querem "ser diferentes" os adolescentes acabam se comportando todos iguais. Coisa esquisita.

A música é só o ponto de partida. O caráter blasé está presente na juventude atual como nunca esteve antes. Alguns deles até tentam parecer cult fingindo que gostam de coisas antigas e bizarras quando na verdade são vazios. Aliás, até isso está na moda agora. Ser nerd tornou-se algo sexy e desejável. Eles não pensam sozinhos e só falam o que os outros querem ouvir. Não tem nada na cabeça a não ser escova definitiva e boné Von dutch. Só leram Crepúsculo, Harry Potter e O código da Vinci. De poesia só conhecem uma frase ou outra do Fernando Pessoa pra colocar no orkut. Não conhecem os clássicos e nem sentem vergonha por isso. Não assistiram Casa Blanca e muito menos E o vento levou. Seu lugar preferido é sempre o shopping ou a praia. Fúteis, levianos, arrogantes, mornos e semi-analfabetos, só assistem MTV e Malhação, como se a vida se resumisse aos dramas idiotas e repetitivos vividos pelos personagens. Como se isso fosse o axioma universal.

Hoje mesmo, bem do meu lado, enquanto eu lia Dostoiévski reparei que a minha irmã caçula estava lendo revista Caras. E as comparações são inevitáveis: enquanto eu escuto Edith Piaf e Ray Charles ela prefere Justin Bieber. Enquanto eu frequento a Biblioteca Nacional ela vai ao cinema com as amigas assistir Shrek. Enquanto eu acompanho os documentários do Natgeo ela vê Disney Channel pra saber o que a Hannah Montana está fazendo de bom. Enquanto eu estudo francês ela finge que fala inglês. Sem personalidade. Sem verdade. Sem paixão. Sem arte.

Não consigo entender porque as pessoas querem ser assim. Porque todos querem ser iguais, ou querem ser diferentes sendo iguais. Emos, coloridos, nerds, patricinhas, não importa. Eles são assim por convicção ou só querem chamar atenção numa sociedade onde impera o medo do anonimato? Essa despersonalização, essa massificação poderia ser só modismo, uma fase como dizem alguns. O fato é que estamos assistindo ao sepultamento das identidades pessoais dos jovens. Eles não sabem quem são, não sabem seu lugar no mundo e não questionam o status quo. Seguem assim, imitando uns aos outros, reproduzindo discursos prontos e atitudes previamente estabelecidas, como se essa fosse a única maneira de existir. Preferem os chavões, os paradigmas e os lugares comuns, simplesmente por esse ser o caminho mais fácil.

E num mundo onde absolutamente todos os buracos são redondos, ninguém mais quer ser o pino quadrado desafiador. Ninguém tem coragem de ser ousado. Ninguém mais é autêntico. Ninguém se atreve a perseguir a originalidade.

Definitivamente, ninguém mais deseja ser o estranho no ninho. Mesmo que isso custe NÃO SER VOCÊ MESMO.

6 comentários:

  1. Tristeza.
    É só o uqe vem à minha mente, quando eu ouço todas essas "coisas" citadas no texto. Fico muito intrigado quando vejo as meninas cantando musicas que reduzem elas próprias, e são essas mesmo que irão reclamar quando os outros tratarem elas tal qual o lixo auditivo manda. As vezes quando me sinto constrangido por tal "res", pergunto se o ouvinte sabe o que ele está ouvindo. Já sei a resposta, ele sabe, não cantaria aquilo para a mãe ou pai, mas canta aquilo pra se divertir, como se aquilo fosse diversão. Eu acho que as pessoas querem apenas isso, se diverstir, se Entreter. Se fossemos culpar alguem, vamos culpar, antes de nós mesmos, a arte do entretenimento. Hoje, o Entretenimento vale mais do que a própria coisa, a emoção val mais do que o próprio fato. Outro ponto interessante, é que as coisas atingiram um nivel de perecibilidade tal, que em menos de uma semana, digo isso pelas experiências musicais da minha irmã, as musicas saem do cenário e nem nas radios mais alternativas tocam. O que é isso? Decadência? Fetichismo de mercado? Pra mim isso só é a proximidade da mudança, para o bem ou para o mal.

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  2. bom ser original tem um custo, e muitas vezes esse custo é vc ser despresado pelas outras pessoas , o que acaba por resultado viver sosinha....
    acho que nem todas as pessoas querem pagar esse custo...
    eu admito por ser tão diferente eu me sinto um marciano, é como se esse planeta/brasil não fosse o meu lugar... o que é triste, mas enfim as pessoas sempre iram optar pelo caminha mais fácil...

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  3. Bem.. Acredito que a juventude de um modo geral está a cada dia mais funcional. Temo que a tendência seja piorar me pergunto se há um culpado... Talvez a mídia... Não sei...
    Mas creio que uma hora tudo se torna insustentável até mesmo a alienação...

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  4. bom eu gosto muito desse assunto
    e uma contradiçao q as pessoas "diferentes" enfrentam na juventude moderna
    ha um paradoxo explícito dito na seguinte afirmaçao
    "é diferente ser diferente, porem e normal a diferença"
    e uma pergunta q eu faço quando eu quero encherrar esse assunto
    pos a conversa termina ai
    ninguem sabe responder
    as veses me sinto
    mal por ser tratado como diferente
    dizem q estou querendo me refugiar ou aparecer
    ,poxa me pergunto
    querer aparecer mais doq essas bandas lixos
    ou gente q se auto prostitui
    pelo amor de deus ne
    sou como vc criticado por ler
    no meu caso maquiavel ou sun stizu
    ( sou um pouco mais radical)
    rsrsrsrsrsrs
    e falar sobre a mente limitada da juventude de hoje
    ,para mim e chuver no molhado
    a midía manipuladora
    a piramide social
    essas coisas
    ate estou cansando sabe
    ,mas nao posso parar de falar
    alguem tenque fazer isso
    mesmo q alguem
    lhe fale
    q ele esta fazendo algo importante
    recebendo informaçoes relenvantes para o mundo,
    claro oq vai acontecer em pasione e muito importante, para o rumo da historia da humanidade,
    burro e vc
    q falta vai lhe fazer
    saber sobre a hístoria dos refugiados nazistas na argentina.
    e verdade tenho q aprenter a falar italiano de novela , pintar meu cabelo de amarelo para dar um pente nas minas
    q se dane o general da ss

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    bjos

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  5. Temos que levar em conta que isso é uma tendência mais comercial do que propriamente cultural.

    É só ver o visual e a forma como esses músico se vestem para atestar isso.

    Alguns dias atrás estava discutindo a questão da Lei de "Incentivo" a Cultura do Governo, estes tratam a cultura como algo inato as pessoas, a ponto de legislarem a fim de "incentivá-la", piada, né?

    Se você pegar a triplíce aliança do atraso da cultura nacional: Ancine, Lei de "Incentivo" a Cultura e Globo Filmes tá ai uma resposta para todos os seus reclames.

    Por que a Índia tem uma indústria cinematográfica melhor do que a Brasileira?

    As respostas são inúmeras, mas, a questão da triplíce aliança do atraso é a mais evidente.

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  6. Minha querida Alery, infelizmente, e concordando com a morbilidade de uma geração tão comercial e puramente avoada, não vejo mais beleza em quase nada. Tudo que era a graça desta vida ficou por assim dizer "banal".
    Essa geração triste, na minha opinião, foi criada a um consumismo sem fim. Até o prazer de uma relação sexual, hoje resume se um gozada e pronto. Afeto e carinho, calor humano dos velhos tempos se foi, e nos temos que conviver com tal situação. Ideais são coisa de titio brega, pois é eu tenho orgulho a não pertencer a esse bando..

    Adorei seu texto..

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