sexta-feira, 25 de junho de 2010

Bola cultural


Mais famosa do que qualquer outra bola de qualquer outra Copa, jabulani vem sendo alvo de centenas de críticas (inclusive de jogadores) a medida em que a competição avança e todos observam o que ela é capaz de fazer. "Sobrenatural", "patricinha" e até "bola de mercado" são só alguns dos inúmeros apelidos que ela já recebeu.

Jabulani, que em zulu quer dizer celebração, já se tornou uma entidade. A imprensa fala dela como se fosse um objeto com vida e vontade própria. Até chamaram o Cid Moreira pra dizer "Jabulaaaani", quando ela faz uma daquelas curvas inacreditáveis; realmente humilhantes para qualquer goleiro.

Era nesse ponto que eu queria chegar. As curvas que a jabulani faz. Os jogadores reclamam que a bola muda de trajetória muito facilmente. Tem gente que diz que é pura ciência, outros dizem que é macumba africana da braba. Tudo frescura. Ora, a bola da Copa deve necessariamente refletir algum aspecto da cultura do país sede. Francamente, quem já teve a oportunidade de ver um sul-africano fugindo de um leopardo vai entender porque a bola é tão ligeira. É óbvio! Quando se vive na selva africana ou você muda de trajetória bem rápido, ou você morre.

Isso me faz pensar como será a bola da Copa de 2014. Se ela incorporar algumas características brasileiras vai ser caso de polícia. Já imaginou se a bola antes de entrar no gol resolver dar uma sambadinha? Ou se ela resolver pedir propina ao goleiro pra bater na trave e não entrar? Não ia dar certo.

O fato é que, num país onde o Dunga possui mais poder que o próprio presidente da República tudo pode acontecer. A bola brasileira poderia simplesmente entrar em greve e ir à praia pegar um bronze e tomar uma cervejinha.

Fazer o que, cada um com sua cultura.

sábado, 19 de junho de 2010

A savana universitária

Antes de passar no vestibular eu nutria em minha cabeça uma concepção de universidade totalmente utópica. Pensava que naquele sagrado ambiente de estudos todos seriam inteligentes, legais e amigos que viveriam em plena harmonia. Pensava que me livraria de vez dos idiotas do ensino médio e que daí pra frente teria amigos nerds. Doce engano. A universidade pública é um ambiente hostil e selvagem, e, como não poderia deixar de ser, repleto de gente idiota. E quando se faz faculdade de história, é pior ainda.

Bombardeados por todos os lados por todos os tipos possíveis de ideologias, os inocentes calouros vêm-se no meio de um fogo cruzado, sem saber de que lado ficar. Os que se decidem logo de cara, na maioria das vezes tornam-se comunistas. Isso mesmo, aqueles seres mitológicos comedores de criancinhas. Aí, o próximo passo é deixar a barba e o cabelo crescer, adotar "O capital" como livro sagrado e Marx como deus.

Já que ser de esquerda está na moda, criticar a religião, seu pai empresário, o preço do pãozinho da padaria e até a vovozinha doente virou atividade corriqueira. E não é difícil ver alguém subir no palanque para criticar o capitalismo com um Nike no pé, camisa da Adidas e boné Von Dutch na cabeça. E esses pseudo-marxistas são a maioria. Atribuo isso ao fato de a direita estar atravessando uma crise. Por isso, os alunos que decidem debandar para o lado burguês são muito mal vistos, assim como os que decidem não debandar para lado nenhum. Essa polarização radical(ou você é comunista ou você é seguidor de Eike, ou você é a favor das cotas ou é racista, e tantos outros ous) às vezes constrange. Um meio termo não é aceito e pessoas moderadas são vistas como "cordeirinhos covardes". Legal seria se todo mundo preferisse estudar. Se fosse assim, não haveriam alunos com matrícula de 1998 e o dinheiro do contribuinte não estaria sendo desperdiçado com a formação eterna dos estudantes profissionais.

Hoje, quando lembro como eu imaginava a universidade antes de conhecê-la de fato, tenho vontade de rir. Pobre criança inocente eu fui. No primeiro período, curiosa como sou, cheguei a entrar numa sala de reuniões de um grupo de negros, uma espécie de panteras negras universitários. Claro, loirinha, olho azul, branquela, fui expulsa imediatamente. Acho que devem ter pensado que eu era espiã da SS. Quem sabe eu poderia ter sido uma ótima militante contra o racismo, se tivessem me dado esta oportunidade. Agora imagina se eu resolvesse criar meu próprio grupo militante, somente com pessoas loirinhas, de olho azul e branquelas, vai por mim, ia dar merda.

E assim vou sobrevivendo em meio à selva universitária, este maravilhoso lugar onde todos desejam literalmente ou se lamber nas festinhas ou @#$%&*! o outro, no bom e no mal sentido.

Só espero estar viva depois deste post para um escrever um próximo.

sábado, 12 de junho de 2010

Kant , os castelos de areia e o teatro



Kant já dizia que o nosso entendimento é incompleto e por isso somos incapazes de compreender certas coisas. E eu já desisti de tentar entender essas certas coisas há muito tempo.

Por exemplo, eu nunca vou entender porque as pessoas morrem e nós temos que continuar vivos como se nada tivesse acontecido. Nunca vou entender Porque as pessoas têm que morrer. Nem porque elas têm que nascer. Ou porque nada dura pra sempre.

Sobre este último ponto, nós sempre tendemos a achar que nossos amores serão eternos, quando, de repente, eles se esvaem como se fossem castelos de areia. Não tão de repente assim, afinal, os castelos de areia vão se esvaindo aos poucos. A cada onda lançada na praia e a cada rajada de vento uma parte deles desmorona e seu tamanho e beleza gradativamente diminui. E eu não entendo porque tem que ser assim. Se temos a sensação de que vai ser pra sempre e se queremos que seja para sempre, então, porque na prática não é?

Não me venha com esse papo furado de que o destino nos separa. Não acredito no destino da maneira que a maioria das pessoas crê. Ele não está sentado no alto do teatro, por detrás das cortinas, regendo e puxando as cordas, como se fôssemos meras marionetes. Ele não é senhor de tudo. As coisas acontecem ou por necessidade, ou por acaso, ou por vontade nossa; e a necessidade é incoercível, o acaso instável, enquanto nossa vontade é livre.

Portanto, nossa história somos nós que escrevemos, e cabe a nós decidir quem serão os personagens que farão parte do roteiro. Mesmo que esse roteiro seja um drama e não um romance com um lindo final feliz, como gostaríamos que fosse.

O melhor disso, é que, como diretores da peça da vida, temos o poder de decidir as próximas cenas. E que a peça só termina quando morremos.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Definição aos 18

Escrevi este texto há dois anos atrás. Agora que reli, posso ver que algumas coisas mudaram, mas a maioria, geralmente as mais bizarras, permanecem as mesmas.

Alery Carneiro Correa. Não gosta do "Carneiro". É conhecida como a filha do Adelson. Às vezes roe unha e chupa o dedo. É completamente desastrada. Vive tropeçando, caindo, derrubando coisas, pagando mico. Sempre chega atrasada na escola, e fica conversando com a Hellô. Ela sofre de amnésia,e frequentemente faz perguntas do tipo:"Amanhã tem prova!?"ou"Era pra hoje?!". Tem uma mania bizarra de chamar os outros de "nem". É boa em história, mas odeia química. Adora ler, na verdade já leu tantos livros que já perdeu a conta, e não se cansa de falar sobre eles como se fizessem parte da sua própria história. Aliás, se a vida dela fosse um livro, seria de crônicas, e suas páginas estariam recheadas com capítulos de comédia e ironia. É flamenguista doente e não liga para o q os botafoguenses digam do seu time, ela sempre vai adorá-lo! Ela ama animais, e às vzs, conversa com a mula. Adora comer, come o dia todo e sempre se acha gorda depois. Vive rindo; de tudo ela ri, até quando não pode. Ama seus amigos de paixão e não abre mão da companhia deles. Tem um All Star azul que nunca é lavado, não importa que digam o quanto está encardido, ela gosta dele assim nesse tom azul petróleo. Adora poesia. Tem medo de escuro e de palhaços . Ela admite q é um pouco complicada e que tem um ou outro comportamento estranho; e se a questionarem sobre o seu jeito de ser, ela vai rir, vc vai acabar rindo também, e em seguida, enigmática, lhe dirá: "Decifra-me ou devoro-te".