
Há muito tempo venho procurando resposta para a questão do nacionalismo brasileiro. Isto é, se é que ele existe. Na verdade, acho que sim. Mas, ele só se manifesta de quatro em quatro anos.
Sim, queridos compatriotas, precisamos admitir que o Brasil só se lembra do Brasil em época de Copa do Mundo.
A verdade é dura, mas o país precisa esperar quatro anos para ser amado, defendido, discutido, comentado. Somente de quatro em quatro anos as pessoas perdem o sono por causa dele. As pessoas reunem-se e debatem sobre que jogadores serão convocados e sobre quais deixaram de ser, mas nunca ou quase nunca discutem qual será a "escalação política". Quando perdemos um jogo, mais uma vez nos reunimos para discutir as causas da derrota, na intenção de não repetir os erros. Porém, o clímax fica por conta de uma eventual eliminação. Se o Brasil é eliminado, tem início um debate impetuoso, a famosa "caça às bruxas", e todos procuram furiosamente um culpado.
Futebol é um esporte lindo. Aliás todo esporte é lindo. Só não vejo porque nós não podemos trasferir todo esse amor e atenção dedicados ao futebol para o Brasil. Afinal, em caso de perda da seleção, apenas alguns contratos esportivos milionários seriam prejudicados. Mas se fosse ao contrário, seria uma grande merda para o país inteiro.
Quero acreditar que essa falta de interesse é um momento passageiro, ou como prefirir chamar, um porre político. Já dizia Bertold Brecht: "O pior analfabeto é o analfabeto político". Mas como já disse que estamos de porre político, seria muita desgraça ser bêbado e analfabeto ao mesmo tempo. Então porque será que não nos interessamos pelo assunto? Porque às vezes desejamos ter nascido em outro lugar? Porque temos vergonha de colocar o mão no peito quando cantamos o Hino Nacional? E porque nem sabemos cantar o Hino? São perguntas que merecem resposta. Porém, essa tarefa não cabe somente a mim, mas à um time de mais de 190 milhões de jogadores, que há cerca de 500 anos vem sofrendo fragorosas derrotas, apesar de jogar em casa.
O problema é que muitas vezes nem sabemos quem é o adversário.
