sexta-feira, 14 de maio de 2010

O porre da nação



Há muito tempo venho procurando resposta para a questão do nacionalismo brasileiro. Isto é, se é que ele existe. Na verdade, acho que sim. Mas, ele só se manifesta de quatro em quatro anos.

Sim, queridos compatriotas, precisamos admitir que o Brasil só se lembra do Brasil em época de Copa do Mundo.

A verdade é dura, mas o país precisa esperar quatro anos para ser amado, defendido, discutido, comentado. Somente de quatro em quatro anos as pessoas perdem o sono por causa dele. As pessoas reunem-se e debatem sobre que jogadores serão convocados e sobre quais deixaram de ser, mas nunca ou quase nunca discutem qual será a "escalação política". Quando perdemos um jogo, mais uma vez nos reunimos para discutir as causas da derrota, na intenção de não repetir os erros. Porém, o clímax fica por conta de uma eventual eliminação. Se o Brasil é eliminado, tem início um debate impetuoso, a famosa "caça às bruxas", e todos procuram furiosamente um culpado.

Futebol é um esporte lindo. Aliás todo esporte é lindo. Só não vejo porque nós não podemos trasferir todo esse amor e atenção dedicados ao futebol para o Brasil. Afinal, em caso de perda da seleção, apenas alguns contratos esportivos milionários seriam prejudicados. Mas se fosse ao contrário, seria uma grande merda para o país inteiro.

Quero acreditar que essa falta de interesse é um momento passageiro, ou como prefirir chamar, um porre político. Já dizia Bertold Brecht: "O pior analfabeto é o analfabeto político". Mas como já disse que estamos de porre político, seria muita desgraça ser bêbado e analfabeto ao mesmo tempo. Então porque será que não nos interessamos pelo assunto? Porque às vezes desejamos ter nascido em outro lugar? Porque temos vergonha de colocar o mão no peito quando cantamos o Hino Nacional? E porque nem sabemos cantar o Hino? São perguntas que merecem resposta. Porém, essa tarefa não cabe somente a mim, mas à um time de mais de 190 milhões de jogadores, que há cerca de 500 anos vem sofrendo fragorosas derrotas, apesar de jogar em casa.

O problema é que muitas vezes nem sabemos quem é o adversário.

domingo, 9 de maio de 2010

Os dias das mães

Como eu sei que há pessoas que pintam e bordam com suas progenitoras o ano inteiro e sempre que chega o "dia das mães" modificam radicalmente o comportamento, transformando-se de repente em anjinhos dignos de um altar barroco, eu resolvi fazer diferente. Resolvi que não vou ser hipócrita e lavar o banheiro só porque é "dia das mães". Não vou ser hipócrita e fazer o almoço só porque é "dia das mães" (eu não sei fazer mesmo). Nem vou deixar de sujar uma pilha de roupas só porque é "dia das mães". Todo mundo já sabe, mas dia das mães é todo dia. Afinal, essas mulheres sofreram dores de parto e tiveram que abrir um buraco enorme em seus corpos (seja em cima ou em baixo) para que nós viéssemos ao mundo. Isso sem contar as estrias, celulites, cabelos brancos, rugas e etc que elas adquiriram por nossa causa. Então não me venha com essa de "dia das mães". As mães possuem 365 dias, e isso ninguém pode lhes tirar.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Os confins da Terra



Dizem que moro longe. É claro que isso depende do ponto de vista de quem avalia. Sim, porque se você mora em Caxias, Nilópolis, Miguel Pereira e afins, realmente sabe o que é morar longe. Moro num lugar distante, afastado, e por isso vivem dizendo que aqui é roça. Pior, outro dia disseram que eu morava no brejo! Eu prefiro chamar de "área rústica" da cidade. Mas escrevi este post mesmo para tentar desmitificar Jacarepaguá. É bem verdade que aqui, possivelmente foi o único local em todo território brasileiro onde houve sistema feudal. E que aqui ainda predominam os latifundios. Mas posso garantir que, além de ser um bom lugar pra se viver, é também uma fortaleza cuidadosamente planejada e estrategicamente posicionada para fins bélicos. Portanto:

1)O transporte precário, em caso de invasão estrangeira, poderia contribuir para que os invasores desistissem de invadir só de esperar o 268;

2)O isolamento do local, em caso de invasão extraterrestre, poderia contribuir para que os alienígenas nunca encontrassem Jacarepaguá;

3)As pracinhas abandonadas pelos prefeitos, em caso de bloqueio comercial, poderiam se transformar em plantações de arroz, aproveitando as poças d'água existentes;

4)A fauna local poderia devorar qualquer invasor desavisado. Não os subestime, estamos falando de sagüis e capivaras adestrados para matar e extremamente selvagens;

5)E, por fim, nenhuma outra área da cidade possui um exército tão bem treinado para executar, extorquir e instalar gatos net. Em caso de qualquer tipo de invasão, os milicianos darão conta do recado.

Agora os jacarepaguenses devem estar orgulhosos de sua pátria.